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29/11/2010

Reflexões sobre a cobertura da imprensa durante as invasões de favelas no Rio


Desde 24 de novembro, as ações da Polícia Militar em favelas cariocas, com apoio da Polícia Federal, do Exército e da Marinha estão nas manchetes de sites, jornais, revistas e ocuparam grande parte dos noticiários de TV. Superexposição, sensacionalismo, adesão ao discurso do governo, propaganda, falta de profundidade são alguns dos pontos abordados por artigos críticos. Leia também sobre a repercussão do noticiário e a cobertura via Twitter nos links a seguir:


"Tropa da mídia" (27/11/2010)

Fernando de Barros e Silva, na página 2 da Folha de S. Paulo (Opinião): "Por toda parte - TVs, jornais, internet-, há uma tendência compulsiva para transformar a realidade em enredo de "Tropa de Elite 3", o filme do acerto de contas final. A dramatização meio oficialista e meio ficcional do conflito parece se beneficiar de uma fúria coletiva e sem ressalvas dirigida aos morros, como quem diz: sobe, invade, explode, arregaça, extermina! É quase possível ouvir no ar o lamento pela ausência de traficantes metralhados diante das câmeras."  


"Nas TVs, tom de engajamento e retórica sobre ‘refundação’” (29/11/2010)

O colunista Nelson de Sá, em coluna na Folha, aponta como a Globo e a Record fundiram seu foco ao do governo durante a ocupação. "A cobertura global, como antes, se fundiu ao próprio Estado, em engajamento semelhante ao da Fox News no Iraque. Sua repórter chegou ao Alemão ao lado da polícia. A captura do homem condenado por matar o jornalista Tim Lopes fechou o círculo."  


"O ataque ao Alemão é ‘Tropa de Elite 3’”, (28/11/2010)

Post sobre a crise no Rio e a cobertura da TV no blog do crítico de cinema Inácio Araújo   


"Pelo Twitter, jovem passa a ser correspondente da guerra no Alemão" (29/11/2010)

O perfil @vozdacomunidade, no Twitter, foi criado por jovens do Complexo do Alemão e ganhou notoriedade ao transmitir informações de dentro da comunidade durante a ocupação.  


"Procurando informar com notícias exclusivas" (28/11/2010)

Uma curta entrevista com um dos jovens do @vozdacomunidade foi feita pelo site Blue Bus.  


"Crise no Rio e o pastiche midiático"

Texto do antropólogo e doutor em ciência política Luiz Eduardo Soares, que foi secretário nacional de segurança pública, coordenador de segurança, justiça e cidadania do Rio e secretário municipal de valorização da vida e prevenção da violência de Nova Iguaçu (RJ), sobre a crise com críticas à cobertura da imprensa.  


"As diferentes batalhas do Rio" (27/11/2010)

Mauro Malin, no observatório de imprensa, critica a falta de destaque na cobertura às razões para a ajuda federal nas operações (visando a Copa 2014 e a Olimpíada 2016), à falta de contingente para manter a vigilância das áreas ocupadas e à questão das milícias.  


"Operação policial 'cativou' público brasileiro como na Copa, diz 'NYT'" (29/11/2010)

Texto da BBC aponta o destaque que a imprensa internacional tem dado à operação.   


"A guerra termina em samba" (29/11/2010)

O jornalista Luciano Martins Costa aponta como a imprensa prenunciou um confronto sangrento entre policiais e bandidos que acabou não ocorrendo. Critica também o tom de vitória adotado pelos meios após a ocupação bem sucedida, deixando de lado outros aspectos como “os negócios da droga” que ainda permanecem.  

23/11/2010

Porque o Twitter importa, segundo o editor-chefe do "The Guardian"


Alan Rusbridger, editor-chefe do jornal "The Guardian", listou 15 contra-argumentos em resposta àqueles que acreditam que “não há tempo” para se investir no Twitter ou que a rede “não tem nada a ver com a indústria de notícias”. E ele diz já ter perdido a conta de quantas vezes ouviu isso, inclusive de colegas que trabalham em empresas de mídia. Abaixo, um resumo da lista:


01- Há uma grande capacidade de distribuição de links, há a agilidade, e a possibilidade de se medir o tempo de vida de uma informação exclusiva.

02- Cada vez mais é no Twitter que surgem os primeiros rumores sobre grandes notícias.

03- Sua ferramenta de busca conta com milhões de pessoas para dizer o que são as informações novas, valiosas, relevantes ou divertidas.

04- O Twitter funciona como um ótimo agregador de notícias, encontradas e filtradas por aqueles que você respeita ou admira.

05- Os repórteres podem usar a rede para colher informações. Seja com pessoas que tenham acesso mais fácil e rápido a ela, ou com pessoas que presenciaram algum fato.

06- É uma ótima ferramenta de marketing, que gera tráfego para o site, engajamento dos leitores, e facilita a propagação de conteúdo, seja por sua viralização, ou quando se ganha um RT de alguém com muito mais seguidores que você.

07- As pessoas podem conversar sobre o que foi escrito. Reação instantânea. Comunicação com centenas, milhares de pessoas em tempo real. “O Twitter pode ser fragmentado. E pode ser o oposto da fragmentação. É um universo paralelo de conversas em comum”.

08- Ao contrário da mídia tradicional, permite que inúmeras vozes tenham espaço.

09- É um espaço mais pessoal, com mais humor, mais respostas, em que se busca um público cativo. Isso faz com que o jornalista comece a escrever de forma diferente.

10- A força no Twitter está com aqueles que conseguem dizer coisas de forma interessante, independente de serem conhecidos ou não. “E as pessoas antigamente conhecidas como leitores podem escrever chamadas mais incisivas do que a gente”.

11- O que o público considera notícia muitas vezes é diferente do que os jornalistas consideram. Com milhares de pessoas opinando, essa noção pode permear as redações.

12- Um assunto pode ser alimentado e realimentado no Twitter por longos períodos. O tempo de atenção conseguido bota os jornais no chinelo.

13- “Comunidades são criadas em torno de questões particulares, pessoas, eventos, objetos, ideias, assuntos ou localidades. Podem ser temporárias ou duradouras, fortes ou fracas.” Mas são comunidades reconhecíveis.

14- Os jornalistas estão perdendo sua autoridade, enquanto as pessoas estão mais propensas a ouvirem opiniões de semelhantes.

15- As mudanças geradas pelas mídias sociais são poderosas Tudo bem, não há espaço para complexidades. Não fazem o trabalho que repórteres investigativos ou correspondentes de guerra fazem. Mas “se ficarmos cegos para suas capacidades, estaremos cometendo um erro muito sério, tanto em termos de jornalismo como da economia da nossa indústria”.

(A lista foi apresentada em uma palestra realizada por Rusbridger no dia 19 de novembro em Sidney, Australia)


Leia mais em:

Alan Rusbridger: Why Twitter matters for media organisations

The splintering of the fourth estate

The Andrew Olle Media Lecture

11/11/2010

Media On 2010 – 4º seminário internacional de jornalismo online



O Media On 2010 – 4º seminário internacional de jornalismo online realizado em São Paulo termina hoje, 11 de novembro, mas os vídeos com todas as discussões podem ser encontrados em http://www.mediaon.com.br/videos/

O evento teve a participação, entre outros, de Susan Grant, vice-presidente executiva da CNN News Services, e Aron Pilhofer, editor de interactive news do The New York Times, que discutiram algumas das experiências de web que seus meios botaram em prática e tiveram boa resposta do público.

Também foram reunidos os coordenadores de campanha online de três dos candidatos à presidência em 2010 para fazer um balanço das práticas na internet: Marcelo Branco (Dilma Roussef - PT), Caio Túlio (Marina Silva -PV) e Soninha Francine (José Serra - PSDB).

Houve ainda painéis discutindo a produção de conteúdo para aparelhos móveis, a relação de mão dupla entre sites de jornalismo e redes sociais, alguns casos de redações que integraram impresso e digital, a visão dos anunciantes sobre a relação conteúdo x audiência, o uso do humor no jornalismo digital e casos de pessoas que fizeram fama na web e transformaram a exposição em negócio.

A lista de participantes pode ser encontrada em http://www.mediaon.com.br/participantes/ 

E a programação em http://www.mediaon.com.br/programacao/

03/11/2010

Imprensa e especialistas avaliam cobertura do resgate dos mineiros no Chile


O resgate dos 33 mineiros chilenos que passaram 69 dias presos em uma mina no deserto do Atacama foi acompanhado por jornalistas do mundo todo. Cerca de 1,5 mil profissionais de diversas nacionalidades transmitiram informações direto do Chile e o tema ocupou grande espaço nos canais de televisão, portais de internet, jornais e emissoras de rádio, principalmente perto do fim da agonia dos mineiros, em outubro.

A grandeza da cobertura foi destacada pela própria imprensa, virou alvo de analistas e suscitou diversas críticas sobre o foco adotado pela mídia.

Veja a seguir um apanhado de análises sobre o modo que a imprensa abordou o tema:


O emocionante resgate dos mineiros transformou-se em fenômeno de mídia
14/10/2010

Artigo sobre a cobertura do resgate dos 33 mineiros e o reflexo no aumento de audiência. Destaque para os recordes de tempo de transmissão ininterrupta de emissoras de televisão ao redor do mundo.


Resgate de mineiros no Chile desata loucura midiática
11/10/2010

Sobre o grande número de jornalistas cobrindo o resgate dos 33 mineiros, a solução do governo chileno para evitar o acesso da imprensa à mina e o apoio psicológico oferecido aos mineiros para que possam lidar com a imprensa.


La odisea de los 33 mineros ya se convirtió en un gran reality show
11/10/2010

O texto mostra o "povoado" que se formou na área ao redor do poço por onde os mineiros seriam resgatados, a reação dos familiares à exposição na mídia e as decisões para preservar os mineiros do assédio, como não permitir que fossem gravadas imagens próximas do momento exato dos resgates.


Rescate mineros: ¿Reality show?
14/10/2010

Coluna originalmente publicada no jornal "La Tercera", destaca a dificuldade de se classificar o resgate dos 33 mineiros como "show midiático". É afirmado que a exposição dos acontecimentos é o objetivo da imprensa, não o espetáculo, e que os leitores e telespectadores sabem a diferença entre um acontecimento real e a ficção de um script.


Após resgate de mineiros, excessos da imprensa no Chile são criticados
18/10/2010

Entre as críticas, a de Jeremy Littau, professor da Universidade de Lehigh, lembra que a cobertura do terremoto no Chile, há poucos meses, não teve tanta atenção da imprensa.


Resgate dos mineiros no Chile e o show da BBC
15/10/2010

Segundo o artigo, a cobertura jornalística, sobretudo da BBC, foi contaminada por infotainment (combinação de cobertura e entretenimento) e marketing político / institucional


Familiares temen sobreexposición y secuelas en mineros
11/10/2010

Sobre a preocupação dos familiares em relação à superexposição na mídia e as sequelas psicológicas que podem restar do acidente.


International Coverage Of Chile Mining Rescue Trumps February Earthquake Reporting
20/10/2010

O artigo compara a cobertura do resgate dos mineiros à atenção dada pela mídia ao terremoto no país em fevereiro e ao desempenho da seleção do Chile na Copa do Mundo. Apresenta ainda o estudo comparativo do professor Francesc Pujol, da Universidade de Navarra (Espanha) sobre as quatro últimas grandes coberturas da imprensa chilena, além dos benefícios econômicos resultantes da visão positiva gerada pelo episódio.


Universidades criticam abordagem da mídia na cobertura do resgate de mineiros no Chile
18/10/2010

A crítica recai sobre a relevância e a abordagem do resgate dos mineiros chilenos.


Escritor chileno critica Piñera e diz que resgate foi "carnaval"
14/10/2010

O escritor chileno Luis Sepúlveda criticou o presidente chileno Sebastián Piñera pelas condições de trabalho no país e "a apropriação da tragédia para transformá-la em carnaval".


Hernán Rivera Letelier - Diario El País: 33 cruces que no fueron
14/10/2010

Coluna do escritor chileno Hernán Rivera Letelier comenta as péssimas condições de trabalho no deserto de Atacama, comparando-as com o que chama de "inferno desconhecido dos mineiros". Ressalta também o inferno do assédio midiático que os mineiros enfrentarão.


33 mineros y sociedad del espectáculo a la chilena
15/10/2010

Juanita Rojas, diretora da Escola de Jornalismo da Universidade Academia de Humanismo Cristiano, critica a cobertura superficial que a imprensa chilena fez do resgate dos 33 mineiros e comenta sobre os acidentes de trabalho que acontecem no Chile.


El rescate en CNN y BBC: mucho que aprender
17/10/2010

A coluna destaca a cobertura sóbria e objetiva feita pela CNN e pela BBC e critica a decisão editorial da imprensa chilena durante a cobertura, além de abordar a percepção dos chilenos sobre o uso midiático da notícia.


Profissão Repórter - Chile
19/10/2010

O programa Profissão Repórter mostrou o trabalho da imprensa durante os últimos dias de resgate, a vida dos familiares durante as operações e as comemorações dos mineiros ao voltarem para casa.


Cobertura da saga chilena comoveu Reino Unido
14/10/2010

No dia do resgate, a BBC transmitiu ao vivo durante 36 horas seguidas e registrou altos índices de audiência

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