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No dia 17 de junho, o Supremo Tribunal Federal votou pela não obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo no Brasil. Segue uma coleção de links sobre o assunto:
Mendes compara jornalista a cozinheiro e vota contra exigência de diploma
Entenda a discussão no STF sobre o diploma de jornalista
STF decide que diploma de jornalismo não é obrigatório para o exercício da profissão
"A decisão consagra no Direito o que já acontecia na prática. O número de profissionais era pequeno sem ser jornalista. A ANJ é a favor do curso de jornalismo, mas o que se discutia aqui era o diploma como pré-requisito."
Paulo Tonet Camargo, diretor do Comitê de Relações Governamentais da ANJ (Associação Nacional dos Jornais)
"Com o entusiasmado apoio dos sindicatos de jornalistas, criou-se uma reserva de mercado que, a rigor, só serviu para encher os bolsos dos donos das escolas de comunicação e despejar às portas das redações uma atônita peonada de canudo em punho, que, salvo as raras e proverbiais exceções, passou pelo menos quatro anos de vida sem aprender nem a profissão nem o bê-á-bá do vasto mundo de que ela se ocupa."
Luiz Weis
"Quais são os conhecimentos específicos necessários para ser jornalista? Entramos aqui no terreno da técnica. Não são muitos. Desafio alguém a defender a necessidade de mais do que dois anos de estudos para adquirir conhecimentos específicos da profissão, tais como técnicas de entrevista ou técnicas de redação voltadas para diferentes mídias"
Mauricio Stycer
"A profissão de jornalista é desprovida de técnicas. É uma profissão intelectual ligada ao ramo do conhecimento humano, ligado ao domínio da linguagem, procedimentos vastos do campo do conhecimento humano, como o compromisso com a informação, a curiosidade. A obtenção dessas medidas não ocorre nos bancos de uma faculdade de jornalismo."
Taís Gasparian, advogada do Sertesp (Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado de São Paulo)
“O ensino de jornalismo não foi extinto, embora tenha recebido um duro golpe. A decisão do STF aponta para a barbárie no mercado, e só a atuação firme dos Sindicatos e o ensino com formação qualificada poderão reverter esse quadro. A FENAJ continuará acompanhando o trabalho da Comissão de Especialistas que, neste momento dedica-se à elaboração de novas diretrizes curriculares.”
Sérgio Murillo de Andrade, Presidente da FENAJ (Federação Nacional dos Jornalistas)
"A ABI lamenta e considera que esta decisão expõe os jornalistas a riscos e fragilidades e entra em choque com o texto constitucional e a aspiração de implantação efetiva de um Estado Democrático de Direito, como prescrito na Carta de 1988."
Maurício Azedo, presidente da ABI (Associação Brasileira de Imprensa)
"O que chama a atenção é que nos cinco dias seguintes à decisão da suprema corte (edições de quinta-feira, 18/6, até segunda-feira, 22/6) dos 28 espaços diários reservados a articulistas regulares e colaboradores eventuais nos três principais jornalões apenas um jornalista manifestou-se de forma inequívoca a favor da manutenção do status quo. Dos 140 consagrados nomões que se revezaram todos os dias ao longo de quase uma semana, só Janio de Freitas (Folha de S. Paulo, domingo, 21/6) reagiu aos triunfantes editoriais da grande imprensa comemorando a morte do dragão da maldade, a obrigatoriedade do diploma."
Alberto Dines
"Alguns dos inconformados com o fim da exigência do diploma dizem que os donos de jornais e outras mídias vão pagar salários abaixo do piso. Será que a crise que os jornais impressos estão vivendo vai permitir que em suas redações trabalhem pessoas não conhecedoras da profissão, levando ainda mais aos leitores, muitas vezes, textos sem sentido pelo mau uso da nossa tão surrada língua portuguesa?"
Amaro Junior
"Os ministros do STF expressaram uma visão desatualizada do jornalismo. Ele não é só literatura e arte. A definição romântica fazia mais sentido em outros tempos. Apesar de termos no nosso jargão a expressão "cozinha do jornal", o paralelo com a culinária é impreciso. Não é também uma daquelas técnicas banais que se aprende num manual de sete lições. Existem vários jornalismos, é difícil definir como ele é exercido atualmente nas várias mídias, nas ferramentas mutantes, nas regras que permanecem, no toque pessoal e intransferível, na rapidez irrecorrível, na tradução do complexo, no talento indispensável."
Míriam Leitão
"Houve quem ficasse ofendido com a comparação, feita pelo ministro Gilmar Mendes, do jornalista ao chefe de cozinha. Em princípio, não há motivo para zanga. No geral, além de ganhar melhor do que o comum dos jornalistas, chefe de cozinha é profissão em alta, com requintes que só se obtêm com mais anos de prática do que o tempo médio de um curso universitário. Depois, "cozinha" é como na velha gíria das redações se designavam as funções de retaguarda (copydesk, editorias etc.) na produção do jornal. Nessa cozinha, costumava-se também ganhar mais do que na reportagem."
Muniz Sodré
"Blogs, Twitters, mensagens pelo Orkut, imagens do YouTube e tantos outros textos e vídeos intitulados jornalísticos que circulam pela rede, postados por usuários, são o pleno exercício da democracia. Podemos acompanhar, pelos recentes acontecimentos no Irã, como estas novas possibilidades da comunicação são importantes ao revelar conteúdos diversificados e, de certa forma, mais próximos do "real", porém isto não qualifica estes produtos como produtos jornalísticos, pois eles emitem, ao seu modo, uma opinião sem um compromisso com a exibição do outro lado. O que ocorre na internet não é uma "proliferação do jornalismo", como diz a Folha em seu editorial de 19/06 (a não ser que este seja o modelo de jornalismo da Folha), mas uma proliferação da liberdade de expressão e da comunicação em escala global; uma proliferação da diversidade de opiniões em seus diferentes formatos. Jornalismo é outro assunto e envolve outros fatores que não dizem respeito a apenas postar um vídeo sobre determinado acontecimento em Teerã, por mais importante que seja este acontecimento."
Cássio Gusson
"Os jornais de cidades de pequeno e médio porte da maioria dos estados – o Brasil tem cinco mil municípios – somente nos últimos dois, cinco ou até dez anos começaram a profissionalizar a informação. Novos jornalistas estavam transformando a relação política e social em suas cidades ao questionar e debater de forma ética. A informação nessas cidades sempre foi, na sua grande maioria, opinativa, política e irresponsável, de caciques locais, e que estava agora a cada dia sendo questionada e desmascarada com a chegada de novos profissionais e meios e comunicação profissional. A decisão do Supremo de acabar com o diploma de jornalista dá marcha à ré em uma conquista da sociedade que começou há 40 anos e que demorou a chegar às bancas de jornal – a credibilidade."
Glauco Silvestre Silva
"Duas premissas equivocadas constituíram a base de argumentação do Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão de São Paulo, do Ministério Público Federal e de oito ministros do STF para derrubar a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista. Com premissa errada, a conclusão só poderia repetir erro. A primeira é a de que a atividade profissional do jornalista seria a do exercício da opinião, cujo direito estaria, portanto, impedido pela exigência de qualquer diploma. Assim, o jornalismo foi julgado pelo que não é."
Fórum Nacional de Professores de Jornalismo
"Em 1988, quando através da "Constituição Cidadã" o país ganhou liberdade absoluta de expressão, houve uma decisão séria, que deve ser respeitada e dada como inteiro, e não pela metade. Falaciosos da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) convocaram sindicatos (compostos e criados por profissionais sem diploma) e estudantes para pressionar o STF a favor do canudo, com o argumento de que a obrigatoriedade regulamentaria a profissão. Mentira! O que regulamenta uma profissão são leis trabalhistas e é neste sentido que devem ser pautados os discursos de entidades sindicais, não pela reserva de mercado e atitudes autoritárias."
Marcos Daniel Santi
Ademar Abiko Jr. às 17h41