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08/07/2008

"Washington Post" quer integrar redações online e impressa

Fundir as operações online e impressa do jornal é a "maior prioridade" da publisher do "Washington Post", Katharine Weymouth, segundo texto do "Financial Times" traduzido e publicado pelo "Valor Econômico" na segunda-feira (7). A recente contratação do jornalista Marcus Brauchli como editor executivo do Post sinaliza essa preocupação. Como gerente editorial do "Wall Street Journal", cargo que assumiu em abril de 2007, Brauchli conduziu a integração das redações do veículo.
 
Em comunicado publicado no site Washingtonpost.com, Weymouth anuncia a contratação de Brauchli e afirma que ele será responsável pelas operações do veículo impresso e do site. Como gerente e principal responsável pela integração no "Wall Street Journal", escreve a publisher, Brauchli "deu ênfase ao conteúdo online quente e dinâmico, enquanto focava materiais originais e exclusivos no impresso".
 
Segundo texto publicado pelo "New York Times", a nomeação de alguém de fora do Post para o cargo de editor executivo sinaliza uma "mudança de gerações em um dos jornais mais influentes" dos EUA. O antecessor de Brauchli, Leonard Downie Jr, chefiou a redação do jornal durante 17 anos.
 
A própria Katharine Weymouth assumiu a chefia do Post há apenas cinco meses e, de acordo com o NYT, "é a primeira publisher do Post a ter controle direto sobre o website do veículo".
 
Ainda segundo o NYT, Brauchli deve enfrentar "sérios desafios" ao assumir a redação do Post. "Desde 2000, a circulação diária do jornal caiu de 800 mil para 673 mil" e "como todos os jornais, o Post não tem conseguido converter o grande tráfego do seu site em dólares suficientes para compensar a queda de circulação e anúncios no impresso", diz o NYT.
 
De acordo com o texto, "o Post respondeu às pressões financeiras reduzindo sua equipe editorial, que era de mais de 900 pessoas no começo desta década, para cerca de 700; e executivos do veículo dizem que ela pode encolher ainda mais nos próximos anos".
 
Como mostram as mudanças feitas por outros veículos jornalísticos, como a BBC, a integração é vista como um caminho para facilitar o trabalho em redações com equipes reduzidas.

07/07/2008

TSE impõe restrições ao uso da internet durante a campanha eleitoral

A Resolução nº 22.718, que define as regras para a campanha eleitoral de 2008, equipara legalmente a internet às demais mídias eletrônicas, proibidas de difundir opinião sobre candidatos. Segundo texto publicado no domingo (6) pela Folha Online, "na prática, a equiparação significa que as inúmeras ferramentas da internet --como blog, e-mail, web TV, web rádio e páginas de notícias, de bate-papo, de vídeos ou comunidades virtuais-- não poderão ser usadas para divulgar imagens ou opiniões que configurem apoio ou crítica a candidatos".

 

Segue o texto da Folha Online:

 

TSE restringe uso de internet na campanha

 

LILIAN CHRISTOFOLETTI
da Folha de S.Paulo

 

A restrição imposta pelo Tribunal Superior Eleitoral ao uso da internet como instrumento de propaganda fechou as portas do mundo virtual para a divulgação de informação jornalística e de manifestações individuais sobre candidatos.

 

A limitação está prevista na Resolução nº 22.718, uma espécie de guia para as eleições municipais deste ano. O ponto mais polêmico é o fato de o TSE ter equiparado legalmente a internet ao rádio e à televisão, que são concessões públicas.

 

A legislação eleitoral proíbe a mídia eletrônica de difundir opinião favorável ou contrária a candidato e ainda de dar tratamento diferenciado aos postulantes. Já os jornais e revistas, que são empresas privadas, não sofrem restrições.

 

Na prática, a equiparação significa que as inúmeras ferramentas da internet --como blog, e-mail, web TV, web rádio e páginas de notícias, de bate-papo, de vídeos ou comunidades virtuais-- não poderão ser usadas para divulgar imagens ou opiniões que configurem apoio ou crítica a candidatos.

 

A vedação cria situações inusitadas. Um texto desfavorável a uma candidatura, por exemplo, pode ser publicado num jornal impresso, mas não pode ser reproduzido em um blog.

 

Até mesmo o internauta poderá ser multado se criar sites, blogs ou comunidades pró ou contra candidatos. O tribunal entende que quem não pode praticar um ato por meio próprio também não pode praticar por meio de terceiros.

 

Consultas

Uma consulta e um mandado de segurança foram encaminhados ao TSE para tentar esclarecer as dúvidas sobre a internet na disputa de 2008.

 

A consulta, assinada pelo deputado federal José Fernando de Oliveira (PV-MG), questionava o uso do e-mail, do blog, do link patrocinado (anúncio em site de busca) e de comunidades virtuais como instrumentos de propaganda.

 

Os ministros do TSE não chegaram a um consenso.

 

Enquanto o presidente da corte, Carlos Ayres Britto, defendeu a internet como um espaço de liberdade de comunicação e, por isso, não sujeita a restrições legais, o colega Ari Pargendler apresentou cerca de 45 propostas de controle da rede mundial de computação.

 

O TSE optou pelo voto do ministro Joaquim Barbosa, que propôs postergar a discussão para casos concretos que ainda serão levados ao tribunal.

 

O mandado de segurança foi iniciado pelo Grupo Estado, que criticou a equiparação da internet às empresas de radiodifusão. Sem analisar o tema, o TSE rejeitou o recurso.

 

Reação

Advogados de empresas jornalísticas com portais na internet criticaram a resolução.

 

"É uma situação absurda. Um site vinculado a um jornal ou a uma revista pertence a um grupo privado, não é uma concessão pública, não pode ser censurado", disse o advogado do Grupo Estado Afranio Affonso Ferreira Neto.

 

Para ele, um internauta não tem uma postura passiva diante da notícia, ele precisa "navegar" até encontrar o que busca.

 

O advogado Luís Francisco Carvalho Filho, da Folha, também criticou os limites impostos pela resolução. "Como cidadão, tenho o direito de expressar a minha opinião em um blog, de dizer em quem voto e de criticar candidatos." Para Carvalho Filho, a maioria das questões sobre o uso da internet na eleição serão certamente analisadas pela Justiça.

 

Luiz de Camargo Aranha Neto, advogado das Organizações Globo, defendeu o fim da regulamentação da internet, a exemplo do que já ocorre em outros países. "Mesmo porque uma fiscalização é impossível, você pode criar um site num provedor do exterior. Como a Justiça vai impedir?"

 

Para o especialista em direito eletrônico Renato Opice Blum, a tendência é, aos poucos, a legislação brasileira ser menos proibitiva com a internet. "Mais cedo ou mais tarde, nós também teremos uma regulamentação mais equilibrada."

 

No mês passado, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio divulgou uma portaria permitindo o uso de blog, de site e de comunidade do Orkut na eleição. Vetou o uso do e-mail.


Leia mais:

 

Promotoria quer punir "casos emblemáticos" (Folha de S. Paulo, 06/07/2008)

 

DA REPORTAGEM LOCAL

 

A Justiça Eleitoral terá de criar uma megaoperação se quiser punir o uso da internet na disputa eleitoral. Basta um passeio pela página do Orkut, que é um site de relacionamentos, ou do Youtube, onde qualquer pessoa pode postar um vídeo, para encontrar milhares de referências positivas ou negativas a pré-candidatos. (...)

 

Justiça impede a propaganda eleitoral no Orkut (Folha de S. Paulo, 06/07/2008)

 

DA AGÊNCIA FOLHA

 

Ações da Justiça Eleitoral pelo país vêm reprimindo comunidades no Orkut que promovem candidatos às eleições de outubro. A criação das páginas no site de relacionamentos é considerada propaganda antecipada. (...)

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