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13/06/2008

Ombudsman e gerente editorial do NYT escrevem sobre o uso de fontes anônimas pelo jornal

O site do "The New York Times" (algumas páginas exigem cadastro, que é gratuito) publicou recentemente dois textos sobre as recomendações e as práticas do jornal quanto ao uso de fontes anônimas em reportagens. O primeiro, Culling the Anonymous Sources, escrito pelo ombudsman do jornal, Clark Hoyt, mostra como o veículo tem tentado reduzir o uso dessas fontes. No segundo, Talk to the Newsroom: The Use of Anonymous Sources, a gerente editorial da área de notícias do NYT, Jill Abramson, responde a perguntas enviadas por internautas sobre o assunto.
 
Hoyt parte dos resultados de um estudo feito por estudantes da Universidade de Columbia (EUA) sobre o uso de fontes anônimas pelo jornal. A conclusão: desde a reformulação do código de conduta da redação, quatro anos atrás, o jornal conseguiu diminuir o uso de informações baseadas nessas fontes.
 
A reformulação aconteceu após o escândalo protagonizado pelo repórter Jayson Blair, que em 2003 deixou o NYT depois de publicar reportagens falsas, com citações inventadas e informações atribuídas a fontes inexistentes. Segundo texto da France Press publicado pela Folha Online, a primeira "invenção" de Blair aconteceu depois de uma entrevista com um homem que havia trabalhado na Bolsa logo após o atentado de 11 de setembro. Como o entrevistado se negou a se identificar, Blair criou um nome fictício. O NYT detectou 36 fraudes nas 73 reportagens publicadas pelo jornalista.
 
Recomendações
O atual código  do NYT  estabelece que os jornalistas dos veículos só devem concordar em fornecer a condição de anônimo a uma fonte caso se trate do "último recurso para se obter informação considerada importante e confiável".
 
O código, escreve Hoyt, exige que pelo menos um editor do veículo conheça a identidade da fonte. "Fontes anônimas não devem ser usadas quando há fontes on-the-record disponíveis. Elas devem ter conhecimento direto da informação que estão fornecendo. A condição de anônimo não pode ser usada para ataque pessoal ou partidário, para comentários triviais ou de pouca importância", continua o texto.
 
O estudo feito pelos universitários concluiu também que a maior parte das fontes anônimas (em torno de 80%) não é descrita de forma adequada para o leitor. Hoyt afirma que, caso se recorra a uma fonte anônima, é necessário sempre informar ao leitor "o máximo possível sobre por que ela não pode ser identificada e como ela sabe o que sabe".
 
Na seção Talk to the Newsroom, Jill Abramson responde a perguntas sobre temas como o porquê de se recorrer a fontes anônimas (Is Anonymity Necessary?), como "funciona" esse recurso (Exactly How Does It Work?) e os direitos das fontes (What Are the Source's Rights?).
 
Destaque para o relato de Abramson sobre sua conduta em entrevistas com pessoas que não estavam acostumadas a lidar com a imprensa:

"Em algumas reportagens, como uma que escrevi na década de 90 sobre assédio sexual, as pessoas entrevistadas às vezes não entendiam completamente o impacto de ter alguma declaração publicada numa publicação de circulação nacional, como o Times ou o 'The Wall Street Journal', onde eu trabalhava na época. Nesses casos, apesar de a fonte não ter discutido as condições da entrevista em nenhum momento, eu me senti na obrigação de pausar a entrevista, explicar essas condições e me assegurar de que a pessoa sabia das conseqüências de ser identificada no jornal."

(Flávia Siqueira)

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