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O avanço na venda de jornais no Brasil foi, em 2007, cerca de cinco vezes maior do que a média mundial, mostra texto publicado em 2 de junho pela "Folha de S. Paulo". De acordo com a WAN (Associação Mundial de Jornais), a venda de jornais cresceu 11,8% no Brasil no ano passado, enquanto a média mundial foi de 2,57%.
Segundo informações da Efe, a América do Sul foi a região em que a WAN verificou o maior crescimento na venda de jornais impressos. O Brasil foi o país que apresentou maior aumento, seguido pela Argentina (7,45%) e pelo Chile (3,99%). Esses resultados contrastam com os números registrados pela WAN na Europa, onde houve uma queda de 1,87% na venda de jornais, e na América do Norte, onde a diminuição chegou a 2,14%.
A WAN fez o levantamento em 232 países e territórios. Em média, 532 milhões de exemplares de jornais foram vendidos diariamente em todo o mundo. O número de pessoas que lêem um jornal diário atingiu, em 2007, a marca de 1,7 bilhão - 300 milhões a mais do que em 2006. O faturamento mundial com publicidade também cresceu - segundo a WAN, houve um aumento de 0,87% em relação a 2006.
Segue o texto publicado pela Folha:
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http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi0206200812.htm
Venda de jornais sobe mais no Brasil do que no mundo
Alta mundial foi de 2,6% em 2007; no Brasil, de 11,8%
DA REDAÇÃO
A venda de jornais no Brasil avançou 11,8% no ano passado, superando a média mundial, que foi de 2,57%, de acordo com a WAN (Associação Mundial de Jornais, na sigla em inglês). O mesmo cenário já tinha ocorrido em 2006, quando a circulação no Brasil cresceu 6,5%, e a mundial, 2,3%.
Os números brasileiros são idênticos aos que já foram apresentados pela ANJ (Associação Nacional de Jornais), que mostraram que a circulação diária de jornais pagos ultrapassou 8 milhões de exemplares no ano passado.
O crescimento das vendas no Brasil foi o maior na América Latina e um dos mais expressivos no mundo, superado apenas por algumas antigas repúblicas soviéticas, como o Cazaquistão, países da África (Quênia, Gâmbia e Líbia), Malásia e Kuait. Nos últimos cinco anos, a circulação de jornais no país cresceu 24,93%. Na América do Sul, por exemplo, a Argentina teve alta de 22,7% no período, e o Equador, de 15,2%.
Segundo o levantamento da WAN em 232 países e territórios, mais de 532 milhões de exemplares foram vendidos em média todos os dias no mundo em 2007 -17 milhões a mais do que no ano anterior. Ainda de acordo com a associação, o número de pessoas que lêem um jornal diário subiu para 1,7 bilhão, 300 milhões a mais. As vendas cresceram ou ficaram estáveis em aproximadamente 80% dos países pesquisados (elas caíram nos EUA, na União Européia e no Japão).
A China é o país em que mais se vendem jornais: 107 milhões de cópias diárias. Mas, em média, os japoneses são os maiores consumidores: 624 exemplares vendidos para cada 1.000 adultos. O Japão é o terceiro maior mercado, com 68 milhões de exemplares comercializados, atrás também da Índia. Os Estados Unidos e a Alemanha são o quarto e o quinto maiores mercados, respectivamente.
Os turcos passam 74 minutos lendo jornais diariamente, 20 minutos mais que os belgas, que estão em segundo lugar.
O faturamento mundial com publicidade dos jornais pagos aumentou 0,86% em 2007 em relação ao ano anterior -havia crescido quase 4% na comparação entre 2006 e 2005. Nos últimos cinco anos, essa receita avançou 12,84%.
Na América Latina, a receita dos jornais com publicidade se expandiu em 10,77% entre 2006 e o ano passado, só perdendo para o avanço no Oriente Médio e na África, de 13,17%.
Apesar do avanço, os jornais tiveram uma pequena perda na fatia do mercado mundial de publicidade: de 28,7% para 27,5%. Ainda assim, eles continuam como o segundo meio de comunicação que mais fatura com propaganda (atrás da TV, com 38%) e com uma receita superior à de internet, rádio, cinema e mídia ao ar livre somadas, de acordo com a WAN.
Mara Gama às 15h31
Em entrevista publicada nesta segunda-feira, 2 de junho, no caderno Link, de "O Estado de S. Paulo", Marc Frons, responsável pela área de Tecnologia do jornal "The New York Times" , informa que o jornal vai liberar códigos para que o conteúdo do jornal possa ser republicado em listas e sites comunitários, blogs, Orkut, Google Earth, entre outros.
"Em setembro, eliminamos a necessidade de assinatura, que exigia que as pessoas pagassem para acessar o acervo. O site passou a ser mantido por anúncios. Agora, com a abertura dos códigos APIs, queremos distribuir e combinar o nosso conteúdo a outros endereços da web, fazer com que ele se torne parte de toda a rede. Ou seja, utilizar todos os recursos que a rede tem para 'combinar' nossos conteúdos", diz Frons. Segue a íntegra:
Vamos abrir o site do 'Times' para nosso conteúdo fazer parte da rede
Entrevista - MARC FRONS, responsável pela área de tecnologia do jornal ‘The New York Times’
Rodrigo Martins
Reflexo dos novos tempos: o diário mais influente do planeta agora quer que seus leitores tenham acesso a suas notícias fora do jornal. E não é só fora de suas páginas impressas, mas também fora de seu site. Na semana passada, o norte-americano The New York Times anunciou que quer ter seu conteúdo presente em blogs, lojas virtuais e até em mapas do Google Earth. E isso ainda neste ano.
A idéia é 'abrir o site do Times para o conteúdo fazer parte da internet'. Como? Listas de eventos, resenhas de restaurantes e receitas de culinária já publicados estão sendo organizados para poderem ser 'combinados' com outros sites. Um exemplo? Você acessa o Google Earth e vê os restaurantes que o jornal já resenhou em um determinado local. Se ficar interessado, pode clicar em um link para ler se o estabelecimento foi bem avaliado ou não.
'Estamos em transição para, de site de notícias, virarmos uma plataforma que distribui notícias', explicou em entrevista ao Link o responsável pela área de tecnologia do Times, Marc Frons.
Em uma decisão pioneira, o jornal anunciou na última quarta-feira que liberará os códigos que possibilitam acesso a seu conteúdo, conhecidos como APIs, para programadores externos - e também do jornal - desenvolverem as 'combinações mais diversas'. Onde isso vai parar? 'Tudo depende da capacidade e da imaginação da comunidade de desenvolvimento e do próprio The New York Times', diz Frons.
Essa iniciativa se soma a outras que estão fazendo do tradicional jornal norte-americano uma das maiores referências na web (veja ao lado) mesmo com a mudança de hábito do público, principalmente os mais jovens, que consomem cada vez mais informação em blogs e redes sociais.
O Times está presente no Facebook e em breve também poderá ser acessado no MySpace e no Orkut, por exemplo. 'Temos de ir aonde as pessoas estão', diz. 'Os jornais não podem mais ser só jornais. Têm de ser produtores de conteúdo para todas as mídias', afirma Frons.
Como surgiu essa idéia de disponibilizar as APIs do site do 'Times'?
Em setembro eliminamos a necessidade de assinatura, que exigia que as pessoas pagassem para acessar o acervo. O site passou a ser mantido por anúncios. Agora, com a abertura dos códigos APIs, queremos distribuir e combinar o nosso conteúdo a outros endereços da web, fazer com que ele se torne parte de toda a rede. Ou seja, utilizar todos os recursos que a rede tem para 'combinar' nossos conteúdos.
Como isso acontecerá na prática? Será possível ter as notícias do jornal no Google Maps, por exemplo?
Os mapas são uma das aplicações principais. Mas iremos além. Será possível selecionar, filtrar, visualizar, combinar e personalizar notícias e informações já publicadas. Dará ainda para combinar nossas informações com conteúdo gerado pelo usuário.
Isso mudará a forma como o usuário acessa o site do 'Times' ou é mais para colocar as notícias do 'Times' em outros sites?
Em um primeiro momento não mudará a forma como o site é acessado. Mas permitirá utilizar parte do conteúdo de maneiras que não são possíveis hoje.
Como? Em outros sites, como em blogs ou sites de compras?
Sim. Um blog poderá trazer links para as nossas notícias relacionadas com um post publicado. Se o leitor se interessar, clica e acessa nosso site. Em uma loja virtual, por exemplo, podemos combinar o nosso conteúdo aos produtos à venda. Quando a pessoa for comprar algo, poderá clicar em um link para ver a resenha do produto. Mas isso depende de acordos comerciais. Para blogs não iremos cobrar, mas, para grandes portais, aí sim haverá um modelo de negócio.
Vocês disseram que, em um primeiro momento, serão liberados arquivos relativos a eventos, restaurantes e receitas. E o resto?
Temos uma lista extensa de APIs sobre as quais já estamos trabalhando. Para o resto do conteúdo, aprenderemos com o processo para definir se abrimos tudo ou não. Ninguém sabe exatamente a resposta. Vamos ver como funciona, avaliar como as pessoas e a comunidade de desenvolvedores reagem.
Esse anúncio vem de encontro a outras ações do jornal para levar seu conteúdo pela web afora. Vocês já estão no Facebook e devem estar em breve no MySpace e no Orkut... O objetivo é resgatar o público, principalmente os jovens?
Você precisa ir aonde o usuário está. É preciso se adaptar aos locais onde ele consome notícias. Se eu tivesse 24 anos e a forma como me informasse fosse por links enviados por amigos no Facebook, o jornal também precisa estar lá.
Mas ainda não há uma grande demanda por notícias do 'Times' no Facebook (são só 1,5 mil usuários ativos no serviço).
Creio que nenhum desses aplicativos será grande isoladamente. Uma das razões de estarmos abrindo nossas APIs é que precisamos de múltiplas entradas para os nossos conteúdos. Você não pode fazer aliança só com o Facebook, o Orkut ou outro grande site. Você precisa estar em todos os lugares.
Se o usuário acessa as notícias em outros sites e não no site do 'Times', isso é lucrativo?
Muitos aplicativos como os do Facebook e do MySpace são apenas uma forma de as pessoas se interessarem pela notícia e entrarem em nosso site. Isso por duas razões: 1) temos de ter dinheiro para conseguir pagar os jornalistas; 2) acho que no MySpace as pessoas não vão querer ler um texto completo.
Mas haverá uma mudança de comportamento do leitor?
É muito cedo para dizer. Há leitores que não irão mais até o site do jornal e acessarão nossas notícias de forma mais distribuída. E haverá pessoas que gostarão de ir diretamente ao nosso site e ver o que o New York Times tem a dizer em sua página principal. Queremos mudar a forma como apresentamos as notícias e envolvemos as pessoas para nos mantermos relevantes. Um dos jeitos de fazer isso é apresentando-as de forma agregada: não só o conteúdo original do jornal, mas também os julgamentos dos seus amigos. Continuaremos a demonstrar nosso valor na medida em que temos sensibilidade editorial para organizar as informações mais relevantes e mostrar às pessoas o que é importante pensar, ler e aprender.
Os jornais precisam buscar esse tipo de inovação hoje?
Sim, caso não procurem já estão mortos. Os jornais não podem mais se ver como jornais, mas como provedores de conteúdo e notícias para qualquer mídia e plataforma. O desafio é encontrar um modelo econômico para o meio online. Porque sabemos que o impresso ainda leva a maioria dos anunciantes, no nosso caso 99% vem de lá. Mas o impresso está em declínio. Precisamos que o online cresça muito mais rápido. Está muito claro que a internet será o principal meio de anúncios para a mídia.
Mara Gama às 16h13