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16/05/2008

Texto da AJR investiga causas dos erros na cobertura da eleição norte-americana

Desde que começaram as primárias para a escolha dos candidatos que concorrerão à presidência dos EUA, a mídia norte-americana protagonizou uma série de apostas erradas. A primeira a ganhar grande espaço em sites e artigos de análise da imprensa foi a votação em New Hampshire, em janeiro de 2008, quando a imprensa dava como praticamente certa uma vitória de Barack Obama.
 
O artigo Off Target, escrito pelo repórter Paul Farhi e publicado na edição mais recente da American Journalism Review faz um "retrato" da confusão na imprensa americana e busca, por meio de entrevistas com editores e analistas, as possíveis causas para a seqüência de equívocos.
 
Para o analista político Mark Halperin, da revista "Time", os repórteres trabalham muito tentando responder às "perguntas erradas" - quem venceu a batalha do dia pela melhor imagem, quem está à frente na corrida -, quando o ponto principal seria a análise das propostas dos candidatos (quem seria o melhor presidente).
 
O jornalista responsável pela seção editorial do "New Hampshire Union Leader", Andrew Cline, afirma que, na época da primária democrata no estado, havia um distanciamento entre as "dúzias de repórteres" que viajam juntos pelo país e os eleitores locais.
 
Segundo Cline, o grupo de jornalistas "havia ouvido os mesmos discursos muitas vezes e não via, depois de um certo tempo, mais nenhuma novidade para relatar. Então, naturalmente, eles acabaram direcionando o foco para o que era 'diferente' de um dia para o outro - a corrida, o ranking, as pesquisas de opinião. Eram insiders falando para insiders". Mas, para os eleitores, que não acompanharam os discursos anteriores, o que os candidatos dizem pode ser novidade e fazer diferença.
 
As falas e opiniões colhidas por Paul Farhi acabam formando um conjunto de conselhos para se evitar equívocos durante a cobertura de eleições:
 
▪ O jornalista Bill Wolff, da MSNBC, lembra que é preciso "ler toda a pesquisa de opinião, inclusive os números de indecisos e a margem de erro".
 
▪ O jornalista David Brocker, do "Washington Post", retoma um velho conselho: jornalistas são jornalistas, e não especialistas em previsões.
 
▪ Para o ex-repórter e professor universitário Thomas Edsall, os jornalistas devem passar mais tempo com os eleitores, e não com os candidatos. Na mesma linha, Andrew Cline pede aos profissionais que dêem um passo atrás e façam aos candidatos as perguntas que um eleitor gostaria de fazer, e não um insider do mundo político.

 


Leia mais:
 
Mini-verdades da mídia na eleição nos EUA. Artigo de Gabor Steingart, publicado na "Der Spiegel" [com tradução no especial UOL Eleição Americana 2008]. Para o autor, "durante esta campanha de eleição, uma grande parte da mídia americana não se dedicou a seguir cuidadosamente os princípios da profissão" e, "por meses, o foco da cobertura de eleição foi a trivialidade".

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